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O
Excel pode ser um ótimo aliado na hora de organizar suas finanças. O
programa é cheio de alternativas para debulhar números e permitir que
você visualize com clareza quanto ganha e quais são os seus principais
gastos. Não é preciso ser um especialista para tirar proveito do
aplicativo. Ele pode fazer parte da vida de qualquer pessoa. Nas
próximas páginas você vai aprender passo a passo como montar uma
planilha financeira personalizada ou, se preferir, baixar um modelo
padrão.
MESES
A primeira coisa que você
deve fazer é criar um arquivo no Excel. Dê um título como Controle
Financeiro. Se for necessário ajustar o título, selecione o intervalo
de células que vai de A1 (onde o título foi inserido) até M1 e dê o
comando Início > Mesclar Celular. A seguir, uma ou duas linhas
abaixo a partir da coluna à esquerda da qual o título está posicionado,
insira os meses do ano. Para tornar o processo mais fácil, use o
recurso de autopreenchimento do Excel. Digite Jan ou Janeiro na
primeira célula, selecione-a, posicione o cursor em sua alça de
preenchimento e arraste-a até que todas as células sejam preenchidas
com todos os meses do ano.
TODOS OS GANHOS
Na
linha abaixo, na coluna mais à esquerda, digite Receitas. Abaixo dela,
liste as fontes de ganhos. Você pode incluir salário, receita de
aluguel, pensão. Reserve a última linha para o item Total de Receitas.
LISTA DAS DESPESAS
Na
linha abaixo, escreva Despesas e, abaixo dela, comece a descrever os
gastos por setores: moradia, alimentação, saúde, transporte, educação,
lazer, vestuário e cuidados pessoais, animais e obrigações financeiras.
Inclua também a categoria Outras para registrar despesas adicionais.
Abaixo de cada uma delas, enumere os tipos de gasto. Com moradia, por
exemplo, você pode listar aluguel, condomínio, água e outras despesas.
Coloque também um Total para a subcategoria.
FAÇA AS CONTAS
Com
todas as categorias e subcategorias das despesas e receitas enumeradas,
é hora de definir os totais parciais. Comece pelas receitas. Clique na
célula referente ao total de receitas do primeiro mês da planilha, abra
a guia Fórmulas e clique no botão AutoSoma para que o Excel insira a
função =SOMA, seguida de um parêntese. Selecione, então, as células com
informações das receitas e tecle Enter para incluir a informação na
fórmula. Uma alternativa é usar o recurso de autopreenchimento de
fórmulas do Excel 2007. Digite = (sinal de igual) na célula, selecione
com um duplo clique a função desejada no menu que aparecerá logo abaixo
e selecione o intervalo das células em seguida.
TOTAL DOS GASTOS
O
próximo passo é calcular a despesa total. No fim da lista de despesas,
deixe uma linha em branco e repita a sequência de meses para facilitar
a visualização das informações. Na primeira coluna da linha de baixo,
escreva Total de Despesas. Na célula ao lado, logo abaixo do mês de
janeiro, escreva a fórmula =SOMA e as referências de cada célula que
contém os totais das subcategorias de despesas. Para não correr o risco
de errar na digitação, use o autopreenchimento de fórmulas e selecione
as células necessárias, clicando nelas enquanto mantém a tecla Ctrl
pressionada. Quando concluir a seleção, tecle Enter. Copie a fórmula
para os demais meses, como indicado anteriormente.
RESULTADO FINAL
É
preciso acrescentar um cálculo final para saber como foi o resultado de
cada mês — ou seja, se sobrou ou se faltou dinheiro. Logo abaixo da
linha Total de Despesas, escreva Total de Receitas, para tornar mais
clara a visualização dos dados. Para fazer isso, digite o sinal =
(igual), seguido do endereço da primeira célula com o total de ganhos
situado no alto da tabela (é a célula referente ao mês de janeiro). Com
isso, você está pedindo para o Excel repetir o valor expresso naquela
célula. Copie essa célula para os demais meses do ano. Na linha de
baixo, escreva Resultado. Na primeira célula à direita, referente a
janeiro, escreva o símbolo = (igual), seguido da referência da célula
em que está o total de receitas, o símbolo – (menos) e a célula em que
está o total de despesas. Tecle Enter. Copie a fórmula para os demais
meses.
GASTOS EXTRAS
Por meio da
formatação condicional é possível aplicar estilos de formatação a
células de planilhas variáveis de acordo com seu conteú do. Imagine que
você tenha uma meta orçamentária para o ano, que é não ultrapassar um
gasto mensal de 1 000 reais. Se você aplicar a formatação condicional
poderá definir que os valores que ultrapassarem esse teto sejam
exibidos em vermelho e aqueles em que você ficou dentro da meta
apareçam em verde. Selecione as células que vão conter os valores de
resultado, abra a guia Início e clique na opção Formatação Condicional.
No menu, selecione Realçar Regras de Células e, em seguida, É Menor Do
Que. O primeiro campo deve conter o valor 0,00 e, no segundo, abra a
lista, selecione a opção Texto Vermelho e clique em OK. Em seguida, com
as mesmas células selecionadas, clique novamente em Formatação
Condicional, escolha mais uma vez Realçar Regras de Células e, desta
vez, a opção É Maior Do Que. Novamente, o primeiro campo deve ter o
valor 0,00. Como no segundo não existe a opção predefi- nida para
formatação com texto em azul, selecione Formato Personalizado para
abrir a caixa de diálogo Formatar Células. Abra a guia Fonte e clique
no menu Cor para abrir a galeria e selecionar o tom de azul de sua
preferência. Clique em OK duas vezes para concluir.
Fonte: Dicas InfoExame
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Cinco empreendedores contam como passaram a crescer mais depressa ao vender o aprendizado adquirido em seus negócios
Lia Lubambo
Ricardo Vacaro, da RL Higiene
Por
Bruno Vieira Feijó
| 18.06.2009 | 00h01
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Portal EXAME -
Quanto vale o conhecimento adquirido à
frente de uma pequena ou média empresa? A resposta pode estar no quanto
esse know-how pode ajudar um empreendedor a acelerar o crescimento do
negócio ao vender a própria experiência para o mercado. Foi o que
fizeram os cinco pequenos e médios empresários que aparecem nas
próximas páginas. Seus exemplos mostram diferentes formas de usar a
bagagem acumulada ao enfrentar os desafios do dia-a-dia de um negócio
em construção para se transformar em vendedores de conhecimento - às
vezes, até para quem antes era concorrente. É esse o caso de Wellson
Ferreira, que de dono de salão de beleza tornou-se consultor de gestão
de finanças para outros cabeleireiros. Em comum, essas histórias têm
como protagonistas empreendedores que buscaram tão profundamente
compreender as necessidades de seus clientes que acabaram se tornando
especialistas nelas. Alguns, com o desenvolvimento desse know-how,
passaram a oferecer serviços de assessoria e consultoria a todo o setor
em que atuam. É o caso de Ricardo Vacaro, que criou uma empresa que faz
projetos de sustentabilidade. A origem do negócio é uma distribuidora
de produtos de limpeza da família. Outro que levou os problemas dos
clientes para casa até conseguir resolvê-los é Eli Wolf, que passou a
calcular a viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários para
as construtoras que antes compravam seus softwares.
|Veja também
A lógica de se tornar um fornecedor de know-how vale
tanto para negócios emergentes como para empresas em mercados bem mais
maduros. Os empreendedores Diego Monteiro e Renato Shirakashi usam a
experiência adquirida ao criar uma rede de contatos na internet para
ensinar outros empresários a aproveitar o potencial das mídias sociais.
O dono do frigorífico Wessel, István Wessel, ajuda alguns de seus
principais clientes a gerenciar melhor uma cozinha industrial.
Na
prática, o que todos eles estão fazendo é buscar um modelo de negócios
no qual possam se diferenciar dos competidores, oferecendo produtos e
serviços mais completos ao mercado. "Quem enxerga as carências na
cadeia de produção geralmente tem chance de ser bem-sucedido ao vender
a própria experiência", diz o professor Luís Lobão, da Fundação Dom
Cabral, de Belo Horizonte. "Empreendedores perspicazes são capazes de
transformar profundamente seus negócios e crescer com a oferta de
serviços e produtos derivados da atividade original."
OS LUCROS QUE VÊM DO LIXO A RL Higiene dobrou o ritmo de expansão com projetos de sustentabilidade para os clientes
Até
2005, o empreendedor Ricardo Vacaro, de 50 anos, enfrentava um problema
comum em pequenas e médias empresas que atuam em setores com
competidores de sobra. À frente da RL Higiene, distribuidora de
produtos de limpeza para clientes corporativos que seu pai fundou em
1977, ele encontrava dificuldades para crescer - e obstáculos maiores
ainda para manter a rentabilidade num mercado em que os concorrentes
têm como estratégia vender pelo menor preço possível.
As
perspectivas eram difíceis. Caso não encontrasse uma solução, a única
saída à vista era entrar na guerra de preços do setor, correndo o risco
de ferir as contas da empresa com margens reduzidas ou simplesmente
perder a vitalidade para seguir crescendo. "Eu procurava
desesperadamente um modo de me diferenciar", diz Vacaro. "Só encontrei
a saída quando comecei a prestar mais atenção naquilo que meus clientes
diziam."
Aos poucos, Vacaro começou a perceber que os executivos
das empresas às quais fornecia desinfetantes, detergentes, vassouras e
latas de lixo começavam a falar sobre a necessidade de adotar práticas
para economizar recursos e tornar seus negócios ambientalmente
corretos. Ele mesmo já havia tomado a iniciativa de criar um programa
para treinar os funcionários de seus clientes para usar os produtos de
limpeza de forma mais racional. "Percebi que havia uma oportunidade",
diz Vacaro. "Com o conhecimento que eu tinha dos meus produtos, poderia
ajudar muitos de meus clientes a lidar melhor com os resíduos de
limpeza que eles geram, e faturar com isso."
Com base nessa
constatação, Vacaro mudou o foco dos negócios, e a RL passou a fazer
para os clientes projetos de destinação do lixo produzido por eles.
Antigamente, por exemplo, a RL apenas vendia cestos de lixo. Hoje,
cobra para também recolher o lixo reciclável, transportá-lo,
armazená-lo e repassá-lo a empresas especializadas.
Com esse tipo
de serviço mais elaborado, a taxa de crescimento da RL dobrou - nos
últimos três anos, cresceu em média 16% ao ano, o dobro do ritmo
registrado em 2005. "Antes, o principal argumento de vendas que a RL
tinha a oferecer eram preços mais baixos", diz Vacaro. "Hoje abraçamos
o problema do cliente e vendemos uma solução completa." Num de seus
principais clientes, a agência de propaganda Leo Burnett, o trabalho de
racionalização do consumo de produtos de limpeza desenvolvido pelos
técnicos da RL resultou na diminuição de 26% nos custos com
papel-toalha e outros itens.
Recentemente, a RL passou a prestar
consultoria em mais duas frentes na área de sustentabilidade: uso
racional da água e descontaminação e reciclagem de lâmpadas
fluorescentes. "No passado, o nosso trabalho se reduzia a passar preços
por telefone e aguardar passivamente que o cliente decidisse
comprá-los", diz Vacaro. "Hoje estudamos as necessidades dos clientes
caso a caso, propomos alternativas e acompanhamos sua implementação."
O CLIENTE QUERIA MAIS Eli Wolf achou o melhor foco de sua empresa quando os clientes reclamaram do software que ele produzia
O
empreendedor Eli Wolf, de 40 anos, só descobriu a verdadeira vocação da
BDK, fabricante de softwares que criou em 1995, quando os clientes
começaram a reclamar que não conseguiam usar todos os recursos dos
programas que compravam. O principal produto da BDK era um software de
gestão que permitia a construtoras, incorporadoras e arquitetos
calcular o retorno financeiro de um projeto imobiliário ainda na
prancheta, a tempo de ajustá-lo para aprimorar o investimento. "Quando
comecei a visitar os primeiros clientes, vi que eles precisavam de
ajuda especializada para usar o software", diz Wolf.
A principal
dificuldade era alimentar o programa. As projeções são feitas
comparando variáveis, como qualidade e composição do solo, preço do
terreno, formas de financiamento e tipo de material usado na
construção, entre dezenas de outras. "A verdade é que a coisa não era
tão simples assim", diz Wolf.
Ao ensinar os clientes a usar a
tecnologia, ele enxergou a oportunidade de mudar radicalmente seu
modelo de negócios. E se a BDK, em vez de fornecer o software, vendesse
o estudo que o software permitia fazer? "Criei, então, pacotes com
serviços adaptados às necessidades de cada comprador", diz Wolf.
"Passei eu mesmo a fazer pesquisas, alimentar o programa e entregar as
informações já prontas." Com a mudança, o faturamento médio por cliente
aumentou em torno de 80%. No ano passado, as receitas da BDK Solutions
foram de 2 milhões de reais. O novo trabalho da BDK conquistou clientes
entre as grandes incorporadoras - como Cyrela, Gafisa e Camargo Corrêa
- e permitiu à BDK atingir um mercado formado por escritórios de
arquitetura, fundos de investimento imobiliário e bancos que financiam
a compra e a construção de imóveis. O próximo passo é ampliar os
serviços de consultoria da BDK.
Os planos de Wolf incluem não
apenas vender estudos sobre o empreendimento isolado de um cliente mas
fazer levantamentos completos para diferentes cenários econômicos.
Esses relatórios mais abrangentes poderão ser úteis para os clientes
traçarem planos de longo prazo, que lhes permitam tomar decisões
estratégicas, como destinar ou não mais forças para o mercado de baixa
renda. "Costumo dizer que várias oportunidades estão escondidas no
fundo da gaveta dos clientes", diz Wolf. O problema, diz ele, é que nem
sempre essas gavetas são abertas e vasculhadas. "Os clientes têm
problemas que, frequentemente, não são verbalizados", diz Wolf. "Cabe a
mim descobrir necessidades que nem sempre são ditas de forma clara."
O COMPETIDOR VIROU CLIENTE Wellson Ferreira deixou três salões de beleza para ensinar outros cabeleireiros a organizar as finanças
O
cabeleireiro Wellson Ferreira, de 43 anos, descobriu uma boa
oportunidade de negócios ao lidar com dificuldades que ele próprio
enfrentara como empreendedor. No final dos anos 90, Ferreira era dono
de três salões de beleza em São Paulo e empregava mais de 80
funcionários, mas não estava satisfeito com sua própria administração.
Filho de cabeleireiros, ele sabia o quão amador podia ser o dia-a-dia
desse tipo de empresa - e buscava uma saída para tornar a gestão um
pouco mais profissional. "Eu pensava que poderia manter os melhores
cabeleireiros do mercado se pudesse, por exemplo, criar um programa
para distribuir lucros aos funcionários", diz Ferreira. "Outro objetivo
era diminuir a rotatividade para acabar com a fuga de clientes que
costuma acontecer sempre que um cabeleireiro troca de emprego."
Como
muitos pequenos e médios empresário do setor, Ferreira às vezes se
sentia perdido em meio a números como fluxo de caixa, contas a pagar e
a receber e índices de inadimplência. Para piorar, ele não encontrava,
na época, um software de gestão que pudesse ser adaptado à rotina dos
salões e que coubesse no orçamento de negócios menores.
Ferreira
decidiu ele mesmo aprender a administrar do jeito certo e se matriculou
num curso de contabilidade. Ao mesmo tempo, encomendou um software
exclusivo para a administração de suas lojas. Aos poucos,
ex-funcionários que haviam saído para abrir seus próprios salões
começaram a lhe pedir para comprar cópias do sistema. "Percebi que
poderia ganhar mais prestando consultoria para ajudar outros donos de
salão a administrar seus negócios do que cuidando dos cabelos dos meus
clientes", diz Ferreira.
No começo, ele apenas revendia o
software que havia sido desenvolvido para seu salão, sem pensar muito.
Mas logo Ferreira voltou aos estudos e se matriculou em cursos de
especialização sobre marketing. Em 2000, se desfez dos salões e fundou
a Avanto Educação Empresarial, que fatura 1,5 milhão de reais por ano
dando cursos que ensinam administração - sobretudo de finanças - a
donos de salões. Outra especialidade da Avanto é treinar os
funcionários dos clientes, ensinando a eles técnicas de atendimento. "A
rentabilidade no novo negócio é três vezes maior", diz ele. "E agora
que encontrei o caminho certo temos muito o que crescer."
NA ONDA DA WEB 2.0 Diego Monteiro e Renato Shirakashi criaram uma rede e agora ensinam empresários a lidar com mídias sociais
É
comum pequenos e médios empresários se aventurarem em setores muito
inovadores e depois encontrar espaço para se transformar em gurus em
sua área de atuação. É mais ou menos isso que está acontecendo com os
empreendedores Diego Monteiro, de 25 anos, e Renato Shirakashi, de 24.
Em 2005, logo depois de sair da faculdade, eles criaram a Via6, uma
rede social na internet inspirada no serviço americano LinkedIn, que
funciona como uma espécie de Orkut para profissionais.
Dois anos
depois de criada, a Via6 recebeu um aporte de capital - estimado pelo
mercado em 2 milhões de reais - do fundo de investimento mineiro
Confrapar. Aos poucos, os sócios deixaram o dia-a-dia da Via6 a cargo
de administradores contratados pelo fundo - e passaram a dedicar boa
parte de seu tempo a prestar serviços para que outras companhias também
possam explorar o potencial das redes sociais nos negócios. "Nosso
objetivo é usar o conhecimento que adquirimos a respeito de como as
coisas funcionam nas redes sociais para replicar em outras empresas",
diz Monteiro.
Hoje, eles ajudam clientes como Locaweb e a
emissora EPTV, afiliada da TV Globo no interior de São Paulo, a traçar
estratégias de marketing e de relacionamento em quase todo tipo de
comunidade virtual - o que inclui redes sociais, como a Via6, e blogs.
Uma das empresas, com o suporte de Monteiro e Shirakashi, está
implantando uma espécie de "mini-Wikipédia" para troca e manutenção
interna de conhecimento entre os funcionários. "Era tudo o que
queríamos - ganhar dinheiro bolando formas de ganhar dinheiro com a web
2.0", diz Monteiro.
Hoje, a Via6 tem mais de 200 000
profissionais cadastrados, que trocam diariamente experiências e
indicações. Sob o comando dos executivos do Confrapar, atingiu
faturamento de algo em torno de 3 milhões de reais no ano passado,
segundo estimativas do mercado. "Nos últimos meses, criamos um plano
com os nossos investidores para nos distanciar da rotina da empresa e
apenas contribuir com decisões com a formação de um conselho
administrativo", afirma Shirakashi.
HAMBÚRGUER COMO SERVIÇO István Wessel passou a ajudar hotéis e restaurantes a administrar a cozinha
"Cuidado,
István", disse, há pouco mais de uma década, um alto executivo do grupo
Pão de Açúcar ao empreendedor István Wessel, hoje com 62 anos. "É muito
perigoso um pequeno negócio depender tanto de um só cliente." Naquela
época, os principais clientes da empresa da família de István, a
fornecedora paulistana de carnes Wessel, eram grandes redes de
supermercados - e só o Pão de Açúcar respondia por cerca de dois terços
de todas as receitas do negócio. "Precisávamos começar a crescer em
outros setores", diz István.
Na época, a Wessel tinha conquistado
presença importante nos supermercados. Em apenas três anos já havia
espaços próprios para seus produtos em 15 lojas do Pão de Açúcar. "Era
uma questão de reduzir a importância relativa dessas redes em nossas
receitas, mas não o volume", diz István. Uma forma de fazer isso era
convencer clientes como empresas de refeições coletivas e restaurantes
a pagar um preço bem maior que a média do mercado pelos produtos da
Wessel. "A ideia foi oferecer algo mais que hambúrguer e picanha", diz
ele. "Com o nosso conhecimento, poderíamos ajudá-los a pôr a cozinha em
ordem e nos diferenciar por isso."
Definida a estratégia, a
Wessel passou a prestar alguns serviços junto com a venda de carne a
fim de reduzir custos, evitar desperdícios e controlar o estoque dos
produtos com sua marca. Logo na primeira reunião com um restaurante,
por exemplo, István pergunta o preço dos itens do cardápio. De acordo
com o valor dos pratos, calcula quantos gramas de carne devem ser
servidos em cada um. "Muitos descobrem que servem uma quantidade muito
grande para o preço cobrado e que, com isso, encolhem suas margens",
diz ele. Ao definir quantos gramas de carne devem ser usados em cada
prato, a Wessel passa a mandar os cortes de maior saída embalados em
grupo. Os que têm menos saída são embalados por unidade. Isso porque,
depois de sair do freezer, a carne não pode ser congelada novamente.
"Embrulhar os itens menos usados um a um ajuda a reduzir perdas", diz
István.
Aos poucos, novos serviços passaram a ser oferecidos,
como um relatório que a matriz das redes de restaurantes recebem
mensalmente. O documento detalha as compras de cada franquia ou filial
por tipo de carne e data do pedido. "Os clientes podem comparar esse
controle com os resultados apresentados por suas unidades e descobrir
se as compras são feitas de acordo com as vendas", diz István. O
relatório ajuda a gerenciar os estoques - com base nele e nas vendas da
rede, pode-se calcular se é preciso aumentar ou reduzir as compras
mensais de determinados tipos de carne.
Depois que passou a
atender a esses novos setores, István viu o ritmo de crescimento anual
da Wessel subir de 7% para 12%, em média. Em 2008, a empresa faturou 25
milhões de reais - e dois terços das receitas, hoje, vêm de clientes
como os restaurantes Achapa e Fasano, de São Paulo, a empresa de
refeições coletivas GRSA e o hospital paulistano Sírio-Libanês.