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Ideias negativas sobre si mesmo, a vida e os outros gera emoções dolorosas que podem transformar-se em doenças. Aprenda a identificar e afastar pensamentos tóxicos e conquiste mais saúde e felicidade Texto • Melissa Diniz Pensamentos se tornam palavras. Palavras se transformam em ações. Ações viram hábitos. Hábitos definem seu perfil. Seu perfil traça seu destino. Olhando essa equação, explicada assim, de forma tão simples e direta, fica difícil não perceber o quanto ela é exata. Mas o fato é que, no dia a dia, a gente não presta atenção aos pensamentos e mal percebe quando está presa num círculo vicioso de ideias negativas. O alerta muitas vezes vem dos outros, que fogem de nosso mau humor. Ou do corpo, que grita por socorro em meio a dores e doenças psicossomáticas. Em seu famoso livro O Poder do Agora (ed. Sextante), o escritor alemão radicado no Canadá Eckhart Tolle, um renomado especialista em espiritualidade, afirma que nós somos bombardeados por pensamentos ruins o tempo todo. Algumas vezes eles aparecem sob a forma de vozes internas, outras, como imagens ou até “filmes” mentais. É um processo involuntário e constante que drena nossa energia vital, além de causar tristeza, medo e ansiedade. “O pensar compulsivo é como um vício, exatamente porque você não consegue parar”, escreve.

Segundo Price Pritchett, especialista em Psicologia Positiva e autor do livro O Otimismo Atrai o Sucesso – As 12 Práticas para Reduzir o Pensamento Negativo e Adotar a Atitude de um Vencedor (ed. Cultrix), é provável que 70% dos nossos pensamentos negativos passem despercebidos. Isso porque eles se escondem sob a forma de queixas, preocupações, críticas ou pena dos outros. “Quando estamos em um desses quatro modos de pensar, filtramos mentalmente nossas experiências para enfocar o negativo. Mais especificamente, estamos plantando sementes de pessimismo”, diz.

É como se houvesse uma espécie de lente distorcida capaz de escurecer a realidade. “Algumas pessoas só percebem o mundo através de um ponto de vista sombrio, mesmo quando a situação não tem essa conotação. Até quando tudo parece caminhar bem e acontece apenas uma coisa ruim, todo o resto perde o sentido para elas”, explica a psicoterapeuta junguiana Sâmara Jorge.

Para a psicanalista Cida Lessa, essa dinâmica de supervalorizar o negativo pode ser considerada um fenômeno coletivo hoje em dia. “Vivemos um momento muito estressante, tudo tem de ser para ontem, as informações chegam muito rapidamente e a pressão no trabalho é cada vez maior. Diante disso, as pessoas passam a se cobrar demais, criando altas expectativas e, quando uma delas não é atingida, se colocam em posição de vítima.”

Sem reclamação
Se isso acontece, imediatamente, todos os nossos problemas passam a ser considerados responsabilidade dos outros: nossos pais, filhos, chefe, marido ou até mesmo do tempo. É aí que a gente ouve – ou diz – aqueles famosos jargões: ‘só comigo’, ‘ninguém me entende’, ‘nunca vou conseguir’, ‘tudo sempre acaba mal para mim’, ou simplesmente ‘desisto’.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching Flora Victoria explica que pensar negativamente é enxergar apenas determinado ponto da questão. “O pessimista acredita na permanência do problema, generaliza o que é ruim e especifica o que é bom. Diz que nada funciona para ele. Quando a gente o lembra daquela vez que deu certo, ele alega que foi uma exceção. Já o otimista faz o contrário, sabe que as adversidades são passageiras e que dificilmente as coisas dão errado”, afirma.

Segundo Flora, nós aprendemos desde pequenos a filtrar a realidade, direcionando nosso entendimento dos fatos a partir das crenças pessoais. “Fazemos de tudo para confirmar nossas crenças, porque elas são um terreno seguro para nós. Ao observarmos os acontecimentos, descartamos tudo aquilo que destoa do caminho que conhecemos e selecionamos apenas as provas de que nossas opiniões estão certas”, explica.

Assim também pensa a consultora americana Linda Spangle, autora de diversos livros sobre perda de peso, como Life Is Hard, Food Is Easy (em tradução livre, “Viver É Difícil, Comer É Fácil”), ainda não publicado no Brasil. Em suas palestras sobre motivação, Linda afirma que a mente tem uma importância determinante nos resultados que obtemos em qualquer questão. Ela usa a fórmula: fato-pensamento-ação-resultado para demonstrar que é nossa interpretação dos acontecimentos que determina o sucesso ou fracasso em uma situação.

Para ilustrar a teoria, imagine a seguinte situação. Uma mulher marca um encontro com seu namorado em um restaurante ao meio-dia. Chega pontualmente e o espera. Passam 15 minutos e nada. Ela começa a ficar aflita. Como não confia nos homens, logo pensa no pior. Liga para seu celular, mas só dá caixa postal. Meia hora depois, tenta o telefone do escritório, mas ninguém atende. Sua angústia aumenta. “Ele só pode ter se esquecido do compromisso”, pensa.

“Ou será que está com outra?” Em meio às alucinações, ela se levanta para ir embora quando ele chega sorridente. Mas, antes de ouvir o que tinha a dizer, ela pergunta irritada: “Como você pôde fazer isso comigo?”. Se tivesse controlado as tempestades mentais e não se deixado levar pela emoção, daria a ele uma chance de se explicar e saberia que o rapaz foi chamado às pressas pelo chefe para ser promovido e não conseguiu avisá-la. No entanto, em vez de um almoço de comemoração, o episódio termina em fim de relacionamento. Revoltada, ela confirma sua tese: homem nenhum presta!

De acordo com a escritora, nossas leituras distorcidas sobre os fatos se baseiam em experiências anteriores que não deram certo. “Seu passado não determina seu futuro. Aliás, seus erros e fracassos anteriores não têm nada a ver com sua capacidade de ser bem-sucedida agora. Elimine a crença de que as coisas sempre acontecem do mesmo jeito e de que você nunca chegará aonde quer. Quando essa ideia vier à mente, afirme: eu costumava ser assim. Não sou mais”, aconselha.
Atenção aos sinais
Como apontam os especialistas, nem sempre é fácil romper o ciclo dos pensamentos negativos, principalmente quando não temos consciência de que estamos presas a ele. Mas a vida sempre nos envia sinais de que isso está acontecendo, basta ficarmos atentas. De acordo com Sâmara, tanto a saúde psíquica quanto de ordem física podem ser indícios de que algo está em desequilíbrio em nossa vida. “O problema acontece quando ficamos apegados a uma situação, sentimento ou pensamento. Qualquer unilateralismo pode ser fator desencadeante de conflitos”, diz. A psicanalista Cida Lessa ressalta a importância de prestarmos atenção a nossos desejos e necessidades. “Se está descontente, procure descobrir o que falta. Não adianta querer uma pílula mágica, o caminho é o autoconhecimento. Além disso, a partir do momento que percebo que as pessoas estão se afastando de mim, devo me perguntar o que estou fazendo para que isso aconteça, e não por que elas fazem isso comigo”, aconselha.

Outra manifestação da negatividade são as dores e doenças. “Aquilo que pensamos sobre nós mesmas e a vida pode se tornar realidade. Então, de tanto acreditarmos que somos vítimas, acabamos ficando doentes, pois a saúde física e emocional caminham juntas. A ciência já apontou que a depressão e alguns tipos de câncer são desenvolvidos por padrões de pensamentos negativos e contínuos”, afirma Cida.

Segundo Flora, quando começamos a pensar em coisas ruins, visualizamos cenas que trouxeram ou poderão trazer sofrimento e realizamos um diálogo mental cheio de ideias nocivas. “A neurociência já comprovou que, dependendo de nossos pensamentos, o cérebro gera químicas positivas ou negativas que vão influenciar o organismo como um todo. O pessimista produz hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, que, quando liberados na corrente sanguínea, deixam a pessoa oprimida, ansiosa, agitada e angustiada. Já o otimista produz hormônios que causam a sensação de bemestar e alegria, como a serotonina e a dopamina”, diz.

Especialista em utilizar a Psicologia Positiva aplicada a empresas, o escritor Price Pritchett afirma que as atitudes afetam profundamente o desempenho profissional e o pessoal. “Vários estudos enfatizam que os otimistas são mais bem remunerados, mais saudáveis, vivem mais tempo, além de lidarem melhor com a incerteza e a mudança”, diz.

Além disso, a desesperança e o negativismo também levam à exaustão mental. “Um estado de espírito negativo mina sua energia, bem como a energia das pessoas ao seu redor. O pessimismo enfraquece sua confiança, sua criatividade e suas habilidades para resolver problemas. Drena a alegria da vida, deixando você emocionalmente esgotado e menos eficiente ao lidar com outras pessoas”, escreve.

A boa notícia, segundo o autor, é que o otimismo pode ser aprendido e praticado. O segredo, afirma, é como explicamos as situações para nós mesmos, especialmente quando passamos por fracassos, dificuldades, incertezas ou perdas, mas também quando nos deparamos com oportunidades e sucesso. “Você manda na sua mente, ninguém pode pensar por você. Cada um é o engenheiro de sua vida emocional, o arquiteto de sua própria felicidade”, afirma.

Se o desânimo tomou conta de você, espante-o, aconselha a escritora Linda Spangle. “Ao nos depararmos com a necessidade de fazer algo difícil ou trabalhoso, nossa mente logo se inunda de ideias ruins, sentimos cansaço e falta de vontade para começar a tarefa. A saída para esses momentos é simplesmente fazer. Evite pensar a respeito. Muitas vezes, os pensamentos ligados a determinada ação a tornam pior do que de fato é.”

A importância do perdão
Em seu conhecido livro Você Pode Curar Sua Vida (ed. Best Seller), a escritora e conferencista americana Louise L. Hay, pioneira na defesa da tese de que manter padrões mentais negativos cria doenças, ressalta a importância de perdoarmos aos outros e a nós mesmos por erros e fracassos do passado. Para ela, ressentimento, crítica e culpa são os padrões mentais mais prejudiciais à saúde. “Muitas pessoas me dizem que não podem desfrutar do presente por conta de algo que aconteceu no passado. O que frequentemente nos recusamos a perceber é que nos manter presos ao passado – não importa qual tenha sido e por mais horrível que tenha sido – só nos magoa. O passado é passado e não pode ser mudado. O único instante que podemos vivenciar é o presente”, diz.

Para Louise, o ato de perdoar nos liberta do passado. “Aprendi que, quando estamos empacados num certo ponto, precisamos perdoar mais. Pesar, tristeza, mágoa, medo, culpa, raiva, ressentimento ou desejo de vingança, cada um desses estados vem de um espaço onde não houve perdão, de uma recusa em desprender-se das emoções e vir para o momento presente. O amor leva ao perdão e o perdão dissolve o ressentimento”, explica a escritora.

Segundo Pritchett, a gratidão e o perdão nos mudam por dentro. Eles asseguram para nós um futuro com mais otimismo. “As pesquisas comprovam o valor terapêutico do perdão. Trata-se de um comportamento adaptado que beneficia tanto a nossa saúde física como nosso bem-estar psicológico”, escreve. Isso não significa que vamos deixar de ficar tristes ou com raiva quando algo ruim nos acontecer. A questão é por quanto tempo vamos nos apegar a esses sentimentos. Podemos nos irritar por meia hora, ou arrastar o nervosismo até o túmulo. As emoções negativas, explica o autor, envenenam nosso mundo interior, enquanto o perdão tem uma ação purificante. “A escuridão dos pensamentos negativos não pode sobreviver sob a luz brilhante do perdão e da gratidão”, constata.


AlimentaçãoSuco de beterraba pode aumentar resistência de atletas
  Patricia Zwipp


A equipe do estudo analisou oito participantes do sexo masculino, de 19 a 38 anos. Os voluntários ingeriram 500 ml diariamente de suco de beterraba por seis dias consecutivos antes de completar uma série de testes envolvendo pedalar em bicicleta ergométrica. Em outra ocasião, receberam groselha negra durante o mesmo período para, então, suar a camisa com os exercícios propostos.

Depois de consumir o suco de beterraba, o grupo foi capaz de colocar o corpo em ação, em média, por 11,25 minutos e 92 segundos a mais do que com o auxílio da groselha negra. A iguaria vermelha também conferiu menor repouso da pressão arterial.

Os pesquisadores ainda não têm certeza do exato mecanismo que faz com que o nitrato da beterraba estimule a resistência. No entanto, suspeitam que possa ser um resultado da sua transformação em óxido nítrico no corpo, reduzindo o custo de oxigênio do exercício. "Ficamos surpreendidos com os efeitos do suco de beterraba no consumo de oxigênio, porque não podem ser alcançados por qualquer outro meio conhecido, incluindo treinamento", disse o professor Andy Jones, da Universidade de Exeter, ao site Science Daily.

A ideia dos cientistas é realizar novos estudos para tentar compreender de forma mais detalhada os efeitos dos alimentos ricos em nitrato na fisiologia da atividade física. Eles acreditam que os resultados poderiam ser de grande interesse para idosos ou pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou metabólicas, além de atletas de resistência e amadores.


 

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