A Iacarujá é um misto de revistaria e livraria com uma tradição de mais de 50 anos no mercado de Suzano e região.

Há todo esse tempo, comercializamos todas as principais revistas nacionias e acrescentamos a isso alguns livros de excelente qualidade editorial e gráfica.




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4) México
5) Grécia
6) Síria e Líbano
7) Espanha
8) China
9) Argentina
10) Alemanha
11) Marrocos
12) Índia
13) Israel
14) Tailândia
15) Escandinávia
16) Países andinos
17) Caribe
18) Japão
19) EUA
20) Versão Brasileira 

Veja São PauloVeja Especial São Paulo
Comer & Beber 2010/2011


IpêsTERRA ABENÇOADA PELOS IPÊS

Suzana Padua é doutora em educação ambiental, presidente do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, fellow da Ashoka, líder Avina e Empreendedora Social Schwab.

Resolvi compartilhar as belezas que temos em nosso país, representada apenas pelos ipês. Nesta época do ano a exuberância é tanta que não posso imaginar que essas árvores, que passam desapercebidas na maior parte do ano, deixem de emocionar mesmo as pessoas menos sensíveis. Talvez por isso devêssemos plantar mais e mais ipês de todas as cores para contagiar nossos conterrâneos sobre a importância da natureza do Brasil. Nessa época, os ipês esbanjam uma beleza rara, nos deixando em estado de êxtase que nos enche por dentro da certeza de que a vida vale a pena.

Passei o dia 7 de setembro sem qualquer intenção de cumprir uma missão cívica, mas com o propósito de registrar as belezas dos ipês em flor. Porém, ao me defrontar com o primeiro buque radioso de um amarelo vibrante, tive a certeza de que este sim é o civismo que enaltece nosso país. Bem melhor do que participar de paradas militares que homenageiam fatos, pessoas ou poderes com os quais não sinto afinidade alguma, fotografar ipês floridos me encheram de orgulho de ser brasileira.

Nunca pensei em ser fotógrafa, até porque antes dessas máquinas maravilhosas que fazem tudo por nós, me faltava precisão no foco, e muitas vezes a percepção de qual ângulo melhor favorecia o que desejava registrar. Agora tudo ficou mais fácil, principalmente quando o motivo é de tão rara beleza.


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Minha missão era produzir boas fotos de ipês em flor para o relatório anual que o escritório da Ana Laet está preparando para nossa organização: o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas. O nome, é claro, foi escolhido para homenagear a árvore, e os complementos cuidadosamente selecionados para que iniciassem com as letras que formam a palavra ipê. Nosso relatório este ano está sendo criado com base em imagens de ipês em flor, servindo de tema de fundo para as informações que desejamos compartilhar. Descobri que, quando o tema são os ipês em flor, demandam pouca expertise de quem tem apenas que apertar um pequeno botãozinho da máquina fotográfica. São belos de qualquer forma, não importa o ângulo, a distância ou a luz que incide sobre eles. Os ipês em flor são simplesmente espetaculares. São fotogênicos. Até eu me tornei uma exímia fotógrafa com os exemplares que encontrei em profusão naquela manhã ensolarada na capital federal, onde resido parte do meu tempo.

Aliás, dentre os responsáveis pela idealização paisagística de Brasília, Burle Marx merece destaque especial por criar belezas cênicas na capital e em tantos outros cantos do país. Mas, dois outros amantes da flora brasileira contribuíram para o que usufruímos hoje. Tanto o Prof. Ezechias Paulo Hering quanto Ozanan Coelho orientaram o plantio de árvores que florescem em diferentes épocas do ano, para que as principais avenidas da cidade estejam sempre coloridas com tonalidades variadas, inclusive aquelas dos ipês que ocorrem no final do inverno.

Todavia, os ipês estão presentes em todo o país. São mesmo presentes que ganhamos anualmente. Por sua excepcional beleza, são as árvores cujas flores tornaram-se o símbolo do Brasil. A palavra ipê tem origem tupi e significa árvore cascuda. Mas suas flores são a mais vívida manifestação da essência do que é ser delicado e belo. Em suas quase dez espécies, florescem em tons de branco, amarelo, róseo, roxo e lilás.

Escritores famosos reverenciaram os ipês em flor. Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, poeticamente escreveu:

“Sou um homem dissolvido na natureza.
Estou florescendo em todos os ipês.
Estou bêbado de cores de ipê, estou alcançando
a mais alta copa do mais alto ipê do Corcovado.
Não me façam voltar ao chão,
Não me chamem, não me telefonem, não me dêem dinheiro,
quero viver em bráctea, racemo, panícula, umbela.
Este é tempo de ipê. Tempo de glória”.
Os ipês têm mesmo o poder de dissolver resistências porque amolecem nossos corações. São dignos de celebração, de gratidão profunda por abrirem suas belezas com tamanha desfaçatez. Por serem assim extraordinários, muitos outros escritores descreveram sentimentos profundos diante de ipês em flor. Rubem Alves é talvez o mais reincidente no tema, como mostra os trechos que se seguem:

“Gosto dos ipês de forma especial. Questão de afinidade. Alegram-se em fazer as coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está prá chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio”.

E quando descreve seu encontro com um ipê rosa em flor:

“Resolvi dar uma caminhada. E lá ia eu, absorto em meus pensamentos, quando, de repente, bem à minha frente, uma explosão de cores: a terra ejaculando flores - flores que estavam escondidas dentro dela! Um ipê rosa florido! Já pensaram nisso? Que as flores são os pensamentos da terra? A terra pensa flores! Dentro dela, as flores ficam guardadas, dormindo, mergulhadas na escuridão. Mas, pela magia de uma árvore, os pensamentos da terra se oferecem aos nossos olhos sob a forma de flores! Dentro da terra estão todas as flores do mundo, à espera de árvores... A terra sonha ipês! As árvores são os psicanalistas da terra!”

Finalmente, peço emprestadas as palavras do Rubem Alves, mesmo não sendo escritora. A idéia de algum dia me tornar um ipê, ou de meus restos mortais adubarem o solo para que ipês florescem faz com que a morte soe mais aceitável. Não que esteja completamente pronta para partir, pois espero ter a oportunidade de ainda ver muitas estações de ipês em flor, se a morte tiver a generosidade de esperar por mais tempo.

“Já é crepúsculo. Não tenho medo da morte. O que sinto, na verdade, é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui... Escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos...”

Os ipês são efêmeros. Portanto, vamos aproveitá-los o mais possível enquanto duram suas flores.


Um bálsamo chamado amizade

AmizadeCada amigo alojado no lado esquerdo do peito vale muito. Tanto que a vida perderia o sentido se eles não estivessem por perto, compartilhando alegrias e atenuando tristezas. Como você verá nessa reportagem, motivos não faltam para mantermos nossas conexões sempre nutridas e ainda arriscarmos novos encontros, de preferência nos misturando a gente de toda sorte Texto • Raphaela de Campos Mello e Vivian Goldmann
Direção de arte • Camilla Sola O número impressiona: uma rápida busca no Google para o termo amizade rende nada mais que 18 milhões de remissões. Não é para menos: são os amigos que nos dão colo, falam aquelas verdades que temos dificuldade de contar para nós mesmas, fazem parte da nossa história, enfim, estão sempre ao nosso lado, faça chuva, faça sol, muitas vezes desde os primeiros anos de vida. Eles também servem de inspiração para livros, filmes (veja box na página 38) e letras de música -- quem não se lembra do refrão “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”, entoado pelo rei Roberto Carlos. Tem ainda o filme O Náufrago (2000). Nele, o personagem interpretado por Tom Hanks só consegue aplacar o desespero provocado pelo isolamento total graças a Wilson, a bola de vôlei transformada em fiel escudeiro. E olha que o tema não é fruto das necessidades contemporâneas, em que a solidão e o isolamento dão o tom. Na Antiguidade, os filósofos dedicaram um número considerável de reflexões ao assunto, tamanha sua importância na vida cotidiana. O romano Sêneca (4a.C.-65d.C.), por exemplo, mandou um recado a seus contemporâneos inflados pela onipotência: “Nunca a fortuna põe um homem em tal altura que não precise de um amigo”. Ao que acrescenta o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, autor de O Adolescente em Desenvolvimento (ed.Harbra): “Se pensarmos evolutivamente, a amizade faz parte do instinto de sobrevivência, porque, uma vez agrupado, o homem faz as coisas mais rápido e melhor”. Antonio Carlos também vê a amizade como uma via de mão dupla. “Se tenho um amigo, isso significa que também sou alguém com disponibilidade para escutar e partilhar as coisas.” Mas, além de acolher, o companheiro deve se sentir à vontade para dizer o que pensa. “É preciso haver espaço na relação para expor seu ponto de vista para o outro”, ele ressalta. Cercada de apoio, sinceridade e confiança, a engrenagem da amizade embala. É inevitável. No entanto, alguns laços são mais duradouros que outros. Há amigos que a gente fica meses e até anos sem ver e quando reencontra sente que o tempo não passou. Outros, ao contrário, se filiam à nossa vida num determinado período e depois seguem carreira solo. “Amizade é uma questão de sintonia. Mas as pessoas se modificam e acabam perdendo essa conexão. É comum, por exemplo, reencontrar um amigo do colegial e ficar rememorando os tempos de escola. Porém, é evidente que a vida mudou para ambos e que aquela relação ficou no passado”, avalia o psicólogo. Nada mais natural. Afinal, estar vivo é protagonizar metamorfoses em série. Logo, dependendo da etapa de vida, teremos expectativas distintas em relação ao círculo de amizades. “Quando somos jovens, o grupo ocupa um espaço muito maior. Com a chegada da maturidade e das obrigações impostas pelo trabalho e pelo casamento, há uma diminuição da interação social pela falta de tempo. Muda, portanto, a dinâmica da amizade, mas ela continua existindo”, diz a antropóloga e professora Claudia Barcellos. Segundo a antropóloga, as relações amorosas também podem, em alguns casos, esfriar o vínculo de camaradagem, uma vez que o parceiro assume papel de ouvinte e conselheiro íntimo ou ocupa por um tempo um lugar de destaque na lista de prioridades. “É comum amigos se afastarem quando um deles inicia uma relação amorosa. Mas é muito importante continuar estabelecendo e aprofundando os vínculos fraternais paralelamente”, enfatiza ela.
Arranjos criativos Em dias tumultuados como os de hoje, nos quais equilibramos diversos pratos de uma só vez — família, trabalho, estudo, esportes, lazer, vida social —, cultivar os amigos, muitas vezes, passa a ser uma missão cercada de estratégias. O que não é de todo mal. Dessa necessidade, podem surgir arranjos bem interessantes, como, por exemplo, encontros semanais, quinzenais ou mensais em bares, restaurantes, sítios ou mesmo na casa das amigas. A ideia é simples, mas só funciona se todas comparecerem — não vale se esconder atrás de desculpas — e transformarem esses momentos em verdadeiros rituais. No filme O Clube de Leitura de Jane Austen (2007), um grupo composto de cinco mulheres e um homem — sendo dois desconhecidos convidados de última hora — se encontra regularmente para discutir a obra da escritora inglesa. Longe de manterem o foco na proposta inicial, acabam trazendo à tona questões mal resolvidas de sua própria vida. Com o passar do tempo, os laços vão se estreitando e o clube passa a ser uma rede de apoio para que seus membros superem os desafios vividos no dia a dia. Lá pelas tantas, um personagem resume a essência da trama quando diz: “Os seres humanos precisam de conexão, de companhia e de conversa”. A mentora da ação, uma mulher madura e cheia de contatos, também revela, num outro momento, a real intenção daquela confraria:“O clube do livro é um antídoto para a vida”. Em São Paulo, sete amigas das mais diferentes áreas — da psicologia ao teatro, passando pelo direito e pela farmácia — criaram uma iniciativa semelhante, batizada de Círculo de Mulheres. Todas as sextas-feiras, há quase um ano e meio, elas se reúnem no apartamento de uma das participantes para, como dizem, resgatar o feminino sufocado por uma cidade tão masculina como a capital paulista. A semente do projeto é exibida como uma relíquia: o livro O Milionésimo Círculo: Como Transformar a Nós Mesmas e ao Mundo (ed. Taygeta), de Jean Shinoda Bolen, um guia com as bases para quem quer fundar um grupo dessa natureza. Juntas, elas estudam mitologia grega, especialmente as deusas do Olimpo, sentam em roda para ouvir e serem ouvidas, dançam e liberam seus sentimentos. Não é preciso respeitar regras rígidas. Todas chegam ali guiadas pelo coração e isso é suficiente. A única exigência é que usem saia. “Recuperamos as imagens das deusas e fazemos atividades corporais com o intuito de encontrar o divino que reside em nós”, explica a professora de danças orientais Fátima Fontes, incumbida de orientar os trabalhos.Quando indagadas sobre os motivos pelos quais frequentam o grupo, apesar dos imprevistos e das dificuldades — a saber, uma vem de Peruíbe, no litoral Sul de São Paulo, outra sobe dez lances de escada, pois tem medo de elevador, e uma terceira está atravessando uma separação — a resposta vem em uníssono: “Aqui, somos acolhidas sem máscaras nem julgamentos”. Fátima assina embaixo. “Criamos uma irmandade onde tudo pode ser dito e, com isso, podemos ser o que verdadeiramente somos.”
Viva a mistura! Dizem que almas afins se atraem e passam a caminhar a par e passo, vibrando no mesmo tom. Quanto a isso, não há dúvidas. Só que o autor dessa afirmação esqueceu de mencionar o outro lado da história: a delícia de cruzar com gente diferente de nós e permitir que nossa alma se misture à delas, ganhando, assim, outras cores e temperos. “Sou aberta a novas amizades, pois acredito que todo mundo é um amigo em potencial. Não tenho preconceitos relacionados a raça, classe social, minorias, pensamentos”, declara a publicitária Roberta Lemos Nóbrega, 25 anos. Sorte a dela, que amplia seu repertório ao se alimentar com um coquetel constituído de diferentes conversas, opiniões, interesses e estilos de vida. “É muito bom conversar com pessoas que veem as coisas sob outros ângulos. Assim, posso absorver as opiniões de cada um e construir a minha própria”, ela diz. Ter muitos amigos exige fôlego. Não é fácil se manter disponível e presente. Por isso, Roberta dificilmente para em casa nas horas livres. “Quando a relação é verdadeira, você a cultiva mesmo na correria. Até porque se espera que o amigo entenda nossa ausência sem fazer cobranças.” Já que a palavra cobrança veio à baila, adentraremos, nas próximas linhas, nesse campo minado. Aquele local menos nobre habitado por sentimentos como o ciúme e a competitividade. Já que eles existem, como contorná-los sem que as bombas sejam ativadas? “É fundamental saber o que se espera e o que se pode oferecer a alguém. Antes de cobrar, precisamos lembrar que a amizade é um caminho de mão dupla. Também é importante ter em mente que o amigo é falível, o que exige tolerância”, aconselha o professor de psicologia Antonio Carlos Amador Pereira, de São Paulo. Para ele, a maior das decepções é constatar que um ente querido nos deu as costas. Já Roberta vê brotar conflitos quando o convívio com as amigas se intensifica. “Começa a incomodar o defeito de uma, o problema de outra”, ela confessa. Problemas e discordâncias sempre vão existir. Afinal, conviver é uma arte que não oferece curso preparatório. Mas ainda bem que o diálogo franco continua sendo o melhor remédio para os males dos relacionamentos. Enquanto ele existir, nossas amizades estarão a salvo. Só não há solução para os casos afetados por danos estruturais. “O que determina o fim de uma amizade não é a inveja ou o ciúme, mas a falta de reciprocidade e de confiança”, garante a antropóloga Claudia Barcellos Rezende.
Nas teias da web Afinal, a rede mundial de computadores isola ou aproxima as pessoas? “Não vejo distinção entre uma relação cultivada na internet e outra estabelecida face a face, desde que ambas sejam permeadas por confiança, apoio, atenção mútua e intimidade”, defende Claudia, com uma ressalva. “Só é preciso redobrar a atenção no que diz respeito à confiança na hora de se estabelecer um novo amigo na rede.” Pollyana Ferrari, doutora em comunicação social pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em arquitetura da informação e mídia social, acredita que o modelo da web atual, chamada de 2.0 e ancorada na interação, alimenta- se do dar e receber, assim como qualquer relação. “A base da rede de amigos é o compartilhamento e a troca. Pesquisas mostram que as pessoas, de uma forma geral, procuram seus pares na internet, ou seja, ninguém quer mostrar sua foto de viagem para um estranho.” Por outro lado, ela enfatiza, a interação ediada pela tecnologia não substitui o contato. “É muito legal ter amigos na internet. Mas também precisamos ter companhia para tomar um chope. Acho triste o adolescente que está no seu apartamento conversando com outros jovens que vivem no mesmo prédio. Não podiam estar todos juntos?”, ela questiona. A opção de se refugiar no anonimato e viver outras vidas na web existe e, sabemos, é amplamente praticada. Mas há quem prefira o oposto: usar o computador como canal de desabafo e até um meio de vencer a timidez e conseguir expressar as inquietações que, de outro modo, permaneceriam veladas. “Pode ser que este seja um campo de abertura para algumas pessoas conversarem sobre assuntos que são difíceis de serem abordados cara a cara”, pondera Pollyana. um chope. Acho triste o adolescente que está no seu apartamento conversando com outros jovens que vivem no mesmo prédio. Não podiam estar todos juntos?”, ela questiona.De fato, há uma enorme disparidade entre o bate-papo ao vivo e o virtual. Um abraço, por exemplo, é impossível de ser reproduzido por vias digitais com a carga de emoção que lhe é devida. Se não estamos fisicamente no mesmo ambiente, também corremos o risco de nos distanciarmos da realidade. O aspecto positivo e inquestionável da internet e das novas tecnologias é o fato de colocar o relacionamento interpessoal em primeiro plano. Por meio delas, podemos reencontrar amigos de infância, cultivar os atuais e ainda agregar novos cúmplices. “Você pode mandar uma mensagem por SMS para toda a base de amigos marcando um encontro presencial. Assim, está se apropriando de uma ferramenta tecnológica em favor do contato humano”, propõe a pesquisadora. Ela própria fez uma grande amizade com a ajuda da internet. “Aproximei-me de um colega da área por meio de participações em fóruns, bate-papos e listas de discussão. No ano passado, ele escreveu um livro e me convidou para assinar um capítulo. Fomos nos conhecer no dia do lançamento. ” Mas vamos com calma. Ter amigos no espaço virtual é algo bem diferente de exibir uma quantidade astronômica deles no perfil do Orkut ou do Facebook. Nesse caso, as amizades são confundidas com ostentação de popularidade e carisma. “Hoje em dia, temos pouco tempo para administrar poucos amigos. Além disso, a interação na rede é direcionada, você fala diretamente com seu interlocutor. É necessário um cuidado quase artesanal. Dizer que tem 12 mil amigos foge completamente do sentido da amizade”, critica Pollyana. Nesse terreno, somos todos jardineiros. Um descuido e pronto: nossas mudas perdem o viço, reclamando atenção. Por isso, sempre que puder, paparique os amigos e capriche na rega e no adubo. Assim, seu jardim, grande ou pequeno, não importa, terá a alegria que tanto precisa para florescer.

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